quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Libertação incómoda


Miseravelmente as tropas invasoras no Iraque atacaram uma refém libertada.
A culpa vai ser do Joe D. ou da Anne M., recrutados para mercenários como forma de fugir à pobreza, exclusão, preconceitos raciais, desemprego.

Agora que a a italiana vai ser difícil de calar, vai.

Ela já estava no Iraque contado o que o império não quer que se conte.

Que a resistência não são só fanáticos fundamentalistas.
Que a resistência vai muito além da Al-Quade, criada pela CIA.

Foi feita refém, assustou-se, chorou.

Acabou por ser libertada e avisada pelos raptores: os americanos não lhe vão perdoar.
Tentaram castigá-la.

Falharam.

Continuam a massacrar um povo e mostram as garras a outros povos.
Faz agora, por estes dias, o começo da ocupação.

Sócrates não necessita de mandar retirar a GNR.
Mas não pode continuar a colaborar com os massacres.
As bases das Lages e outras devem ser interditas às forças invasora.

Hoje! Já!

Ouviu Senhor Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros?

Dia Internacional da Mulher


"Uma operária tecedeira de meia idade da fábrica Maxwell levantou-se para falar. Tinha uma bela cara, aberta; vestia um vestido de algodão desbotado apesar de se estar no fim do Outono. A sua mão termia nervosa, um dedo brincando com o colar. A sua voz soava com uma qualidade inspirada, inesquecivel.
"Vocês habituaram as vossas mulheres a dormirem em camas macias, a comerem comidas doces" atirou aos delegados da fábrica Putilov [que estavam a propor que aceitassem pelo menos uma retirada temporária]. "É por isso que têm medo de perder os vossos empregos. Mas nós não temos medo. Nós estamos preparadas para morrer, mas nós conquistaremos as oito horas diárias! Lutaremos até ao fim. Vitória ou morte! Viva o dia de oito horas de trabalho!"


Extracto do livro "1905" de L.Trotsky relatando uma sessão do Soviete de Petrogrado a 12 de Novembro de 1905

Hoje esgotaram-se as flores e prendas
as palavras de apreço e valor
e foram torrentes as hipócritas declarações
dos que são forçados a esconder
que prefeririam as mulheres em casa
para aumentar ainda mais uns cêntimos
os lucros dos que tudo têm.

Hoje falou-se de igualdade
Mas há umas mais iguais que outros
quando as mulheres são mais pobres, mais vítimas, mais excluídas

Hoje esconderam cuidadosamente os cadáveres das mártires de Nova York, nos EUA
que há 140 anos foram imoladas pelo fogo assassino
de um "empreendedor" capitalista
porque se atreveram a lutar pelas 8 horas.

Pudera,
se agora nos convenceram que a noite apenas começa às 22 horas
que o trabalho é um acto de caridade,
que temos de trabalhar até cair mortos,
e às mulheres,
ou proíbem que engravidem,
ou castigam se abortam,
querem-nas mães carinhosas,
esposas extremosas
e campeãs da produtividade.

Que não se queixem se trabalham 12 horas,
passam mais 2 horas em comboios sobrelotados
e chegam a casa para limpar o pó,
fazer as camas,
cozer as batatas,
deitar os putos
e serem cama
dos que se deixam embrutecer,
numa lógica de domínio mesquinho,
porque na casa mandam eles.

Foi há 100 anos que a mulher de meia idade gritou.
Ou foi ontem?
Ou será amanhã?

Bosque(s) dos Ausentes, Florestas do Presentes

Quem manda, mandou plantar 122 ciprestes e oliveiras numa colina artificial em plena Madrid, O Bosque dos Ausentes.
Quem manda chorou hoje, ritualmente, as 122 vítimas do inqualificável atentado que há exactamente um ano abalou Atocha, Madrid, o Estado Espanhol e o Mundo.
Quem manda esteve reunido para discutir pela enésima vez o problema do terrorismo, o frágil equilíbrio entre segurança e liberdade, as mil e uma maneiras de manter as raízes do terror e não deixar que as folhas despontem.

Depois há os outros:

Os que olham, horror nos olhos, o vazio que as bombas ali deixaram, como deixaram as bombas "libertadoras" sobre o Iraque desde há 11 anos, (tenatos Bosques de Ausentes) como o deixaram as bombas "restauradoras da paz" nos Blacãs, (outros Bosques de Ausentes), os 100.000 mortos civis iraquianos, encurralados entre o ocupante grosseiro, brutal e arrogante e o fanatismo promovido a terror sem cara porque necessário é o medo.

Depois há ainda os outros: Os que tendo perdido encontram a razão e a força a dizer não ao sangue gratuito, como a família McKenzie na Irlanda do Norte, os operários de várias cidades industriais do Iraque que lado a lado, xiitas, sunitas, curdos e turcos, se juntaram contra o ocupante e contra o fundamentalismo, os jovens universitários da Universidade de Jerusalém que recusam a lógica do apartheid e promoveram uma lista de judeus e palestinianos à direcção da Associação de Estudante, rapidamente reprimida e banida pelos Serviços de Segurança da Universidade.

Estes plantam algo que, querendo nós, terá raízes mais profundas que o medo e o terror, porque agarrado ao chão onde se vive e produz, baterá o medo que provêm do mundo virtual da especulação e do lucro.

A Floresta dos Presentes não esquecerá os Bosques dos Ausentes. Mas para que haja memória e não ficção, os que mandam terão de sair de cena, os despojados da sorte terão de conquistar os céus.

Os que...
são tantos que não ganham com o terrorismo mas sabem que quem manda ganha muito com ele.
Tantos...

Diferentes formas de ser, a mesma capacidade de amar


Sem condições estou com esta campanha
Perconceitos tenho-os, mas vou curando-os. E tu

Riachos - Curvas da Morte

Seis mortos. A notícia, brutal, tocou as gentes do Pinhal Novo logo de manhãzinha. Num dos cafés da terra, senti a voz embargada de um jovem que suspeitava ter perdido um amigo.

Na mercearia, no supermercado, noutros locais, ao longo do dia, as pessoas comentavam a desgraça.

Hoje, a imprensa nacional faz eco da tragédia. Mães, filha e neta, mais 3 pessoas na cassa dos 30. Fala da curva da morte, de quase 90 graus e uma inclinação ligeira que ajuda a que os veículos se despistem”. E lembra que a 17 de Janeiro, na mesma curva, dois camiões chocaram e morreu um motorista.

Que tal quem de direito emendar já a curva? E sentar-se no bancos dos réus por homicídio por negligência?

Memória do 11 de Março


Estava no pátio da Escola Comercial Ferreira Borges.

Vimos um avião de caça picar sobre o Palácio de Belém. Não disparou. Outro foi matar o soldado Luís na parada do RALIS, do outro lado da cidade.

A rádio da escola avisou que estava a haver um golpe militar.

Fechamos a escola. Reunimos uma RGA. À nossa escala defendemos a democracia.

Pouco tempo depois começamos a ouvir falar da "ameaça comunista".

O PS, lado a lado com os bombistas do ELP/MDLP preparava a guerra civil e pedia a intervenção da NATO.

Em Novembro o General das patilhas repunha a "ordem".

Os Motas Freitas, os Cónegos Melos, os Corrécios continuavam a destruir à bomba as sedes dos partidos de esquerda, a incendiar - a Faculdade de Ciências em Lisboa pelos "Comandos Operacionais de Defesa da Civilização Ocidental" (CODECO), sedes do PCP, da UDP, do MDP-CDE, da OCMLP, - a matar - Abril de 1976 Padre Max e Maria de Lurdes, Embaixada de Cuba, 1º Maio frente ao Hotel Vitória...

Depois, pouco a pouco calaram-se. Nem um foi condenado, alguns até condecorados.

O PS começava a desmantelar tudo o que beliscara o Capitalismo. No caminho deixara cair o marxismo.

Tentou passar a ser Partido Social Democrata. o Sá Carneiro cortou-lhes as voltas.

Soares avança contra a Reforma Agrária para florescerem as terras ao abandono, as coutadas de caça e o desemprego e imigração no Alentejo. Impôs os contratos a prazo. Atacou os Sindicatos. Que rico "socialismo".

Passados anos, vi o golpista ser promovido a Marechal.

Vi os bombista do ELP/MDLP a serem piedosamente esquecidos.

Agora, pode bem Mário Soares arvorar-se em "Pai da Democracia".

Porque a Democracia dele nunca será a minha e de tantos que sonharam, sonham e continuam a bater-se por uma terra sem amos, uma genuína democracia não da ditadura do lucro, mas dos produtores.

Ah, sim hoje é Dia do Pai


Querido Pai
Quero dizer-te tanta coisa
Coisas que não te disse
Coisas que não entendi que sentia

Faz-me falta a tua paciência
o teu despreendimento
a tua gargalhada
os teus jogos de mãos calejadas de vida dura
a tua gargalhada apaziguadora

Mas sabes pai
Hoje é também o meu dia
A tua neta
pintou-me uma camisola
- eu sei que hoje dizemos que é uma t-shirt-

Tem os riscos e rabiscos do seu saber
mas acima de tudo tem nas cores e nas curvas
a suavidade do amor

Não me lembro das prendas que te dei
neste dia
há muitos anos

Sei que nos últimos tempos
não sabia o que te dar

Talvez se pudessemos regressar
te desse
um pedaço de madeira
que com as minhas mãos
habituadas a outras coisas
me esforça-se para esculpir o teu nome.

Talvez.

Sabes?

Guardo comigo a pedra
que o teu neto pintou
há tanto tempo
para o pai que tinha partido

O mundo e o tempo
continuaram
e este pai regressou
reencontrou-se consigo mesmo
e com o seu filho

A tua neta sabe que partistes
e hoje
fez a ponte daquilo que eu sou
porque tu me ensinaste
com poucas palavras
a ser

Hoje
quando a tua neta
me ofereçeu
a sua prenda
fomos os dois que a recebemos

Tenho tantas saudades, Pai

Da importância das montanhas altas


Às vezes
o turbilhão das coisas é nossa volta
faz esquecer as montanhas altas
que sempre quisemos escalar

Às vezes
a crueldade dos tempos
que fazer parecer pequeno
o dente-de-leão
e os deslumbrados olhos das crianças
quando o vêm fazer-se em poalha ao vento

Às vezes
o agitar do mundo
faz-nos construir carapaças
endurecer os olhos
silenciar a voz
que no peito desaprende a falar

Às vezes
um gesto,
uma partilha
um riscar nos ares
das aves que regressam
recentram-nos no que somos
nos trilhos as montanhas
nas coisas simples que gostamos

Às vezes
reaprendo
que vale a pena
Amar

Opções que marcam

O senhor de branco é o "Santo Padre" João Paulo II

Aqui, ao lado dele
o assassínio de Salvador Allende
e de tantos milhares.




Ali, pouco depois, repreendeu o Padre Ernesto Cardenal, Ministro da Cultura do Governo Sandinista da Nicarágua e outros padres e religiosos que optaram por servir os explorados e oprimidos.

Um "santo" homem, na verdade. Para quem?

Coisas do dia a dia


Posfácio
Para que não digam que não falo do dia a dia, uma ideia que me ocorreu
ao fumar um cigarro na varanda das traseiras da minha casa
Posted by Hello
A galinha
no seu passo sincopado
debica o grão, a couve, o pão
e sincopadamente
vai mirando
as redondezas
não vá o gato malhado
dar-lhe cabo
do canastro
e fazer-lhe voar as penas

Educação e barriga cheia

É no mínimo estranho que as propaladas refeições escolares estjam a ser remetidas para a esfera da "competitividade" e do "lucro".
Em algumas escolas de Lisboa, crianças há que têm de passar a pagar 0,80€ por refeição visto que a verba municipal é insuficiente.
Contas feitas são "apenas 17€ e mais uns pózitos" que as famílias têm de despender.
O problema é que essa medida está a ser implementada em bairros onde a crise social é devastadora e em comunidades escolares cujas famílias são monoparentais ou mesmo crianças a guarda de avós que recebem o rendimento mínimo ou pensões extremamente baixas.
Donde vai começar a ser novemente frequente ver-se crianças sem comer nas escolas oficiais da capital.
São estas coisas que contribuem para a exclusão, digo eu

Voz do povo, voz de 'deus'?

Acabou de ser eleito pelo Conclave cardinalício como novo Papa, o chefe do Santo Oficio, Joseph Ratzinger.

Dizem eles que é o "Espírito Santo" que os guia a votar o "sucessor" de Pedro.

Se a "Voz do Povo é a voz de deus", como dizem as gentes no seu saber, a coisa não começa bem para o homem da Inquisição: numa sondagem que a Newsweek está a fazer 40% acham que a escolha foi errada e 35% ainda dizem que é cedo para saber.

Dizem que "deus escreve direito por linhas tortas", mas tanta hesitação não me parece divina...

Estranho, estranho é o quasi silêncio sobre o antecessor do antecessor, o João Paulo I que morreu "subitamente" depois de rebentar o escândalo do Banco Ambrosiano, ter de deter mo Vaticano o Monsenhor Markinus - um amigo próximo de Ratzinger - para não ser preso por fraude na Itália, e de ter aparecido enforcado o banqueiro Calvo, envolvido com a loja mafio-maçónica P2.

Enfim, eles lá vão cantando e rindo...

Receando ser excomungado por Bento XVI...

... o primeiro refugiado político da Santa Sé...

Segundo Vauro, que publica no Il Manifesto é...



obviamente o Carpinteiro da Nazaré, Jesus bar José

Recordo-me de um futuro

Recordo-me de um futuro
onde, tranquilamente,
olharás
as paisagens das serras,
que amas

Recordo-me de um futuro
onde a felicidade brotará
das flores silvestres
e as florestas sussurraram
paz e harmonia

Recordo-me de um futuro
onde crianças pequenas,
talvez netos,
virão
saltitando
e pedindo-te doce caseiro
ou uma história de encantar

Recordo-me de um futuro
onde estiveres
por muito longe que eu esteja
sentirei o teu aroma
e, qual sombra de luz,
partilharás comigo tranquilidade

...de mudança...

pois é... por ora, abalei para outras paragens
http://saocoisasdavida.wordpress.com

Sopro leve: A Justiça Portuguesa

Sopro leve: A Justiça Portuguesa

Um gato vadio


Passei por ele por acaso.
Lambia-se placidamente murete de uma casita da minha rua.
O sol mal aquecia a manhã fria, a rua começava a viver.
Era malhado e esquálido, gato vadio sem norte nem sorte.

Reparei então que não se lavava como é hábito dos gatos.
Lambia uma ferida de uma batalha recente.

Miou tristemente. Esticou-se, voltou a lamber-se.
E ali ficou, naquele murete da casita da minha rua.

Segui a minha vida. Ele, a dele.

Uma grande viagem


Como explicar a quem inicia o ciclo da vida que há um momento do fim?

Como disser que alguém deixou de estar, ali, perto de nós?

Como fazer entender que não terá mais o colo querido do avô, as cócegas da sua barba braquinha, as festas da sua mão calejada?

Ainda assim, expliquei como pude a ausência permanente. "O Avô foi embora e já não volta".

- Está zangado? - quiz saber ansiosa.
- Não filha, simplesmente partiu.

Não creio que tenha entendido totalmente mas, volta e meia, vejo-a a olhar para a fotografia que ficou.

Um Homem Bom


Disse-me os nomes das plantas e das aves
Deu-me o gosto de cantar e assobiar

Alimentou o meu insaciável desejo de saber os porquês das coisas.
Ensinou-me a olhar pelos outros
Conduzio-me no olhar para bem dentro de mim





Era um Homem Bom, o meuPai

José Gomes de Oliveira Raposo
"Zé Grandão"
10 de Fevereiro de 1918 - 22 de Fevereiro de 2005

Dos táxis e outros carros


Exultou o antigo Paulinho das Feiras pelo facto do seu partido, apesar de ter sido nos quatro objectivos políticos que traçara para o seu PP, ter deixado de ser o partido do táxi.

Na verdade, agora que perdeu o carro de ministro, e uma vez que não tem viatura própria, provavelmente passará a circular de São Bento para o Caldas nessas viaturas que já foram típicas e hoje são atípicas que percorrem Lisboa.

Em abono da coerência, e uma vez que o quadro económico-financeiro está tão mau, talvez seja pedagógico que imponha aos subordinados políticos a rentabilização de recursos e dêem o seu contributo para a produtividade nacional, passando a organizar táxis colectivos entre o Largo de Caldas e São Bento. Bastam 4 táxis para os doze senhores.



Já o Xico, o Luís e o João também já não cabem num táxi, visto que os eleitores quiseram que a Ana, Lena, a Alda, o Rosas e a Mariana dessem uma ajuda em São Bento.

Ora como o pessoal defende políticas de transportes públicos, acho que irão de metro, autocarro ou mesmo a pé.

Mas aqui deixo uma proposta: talvez seja melhor arranjarem um dois 2Cavalos.

Porquê?

Porque, ou muito me engano, ou com os Socráticos a contarem metade e mais uns na Assembleia da República, estes meus amigos terão de circular muito mais por muitos e variados caminhos em Lisboa e por todo o país.

Para Quê?

Para estarem ao lado dos que mais tarde ou mais cedo, e suspeito que mais cedo, compreenderem que a mudança socrática será apenas retórica e mudança a sério só haverá quando as pessoas perceberem que essa coisa da política é perigosa demais para deixar apenas o governo e os deputados brincarem.

A ajuntar à crise social que já se vive, a tentativa de manter o que de “bom fez o governo anterior” por parte da malta do Rato, irá trazer para a rua os que estão à espera de mudanças a sério, visto que em São Bento eles são “os donos da bola”.

E aí, as coisas estarão definitivamente a bloquear os planos socráticos de manter as coisas a favor dos insuspeitos do costume.

Margaridas - Dia de S. Valentim


A verdade é que só o engenho do comércio fez popular este dia. Mas está para ficar.

A Clarinha, que já anda na “nova escolinha”, avisou-me na Sexta-Feira: beijinhos só ao Rafael, o namoradinho... Pois!

Claro que depois esqueceu e celebrou o “abraçinho de conjunto”, ela, o pai e a mãe, várias vezes, a última hoje logo de manhã, antes da mãe sair para o comboio.

Antes de apanhar o comboio, no café, as conversas andavam todas à volta da nova celebração: uma auxiliar educativa de uma das Escolas Básicas da terra comentava que estava armada em carteira, tantos eram os cartões que se cruzam este dia.

A dona do café desafiava: “Então vizinho, não dá um beijinho à sua mulher? Hoje é dia dos Namorados...”.

O sujeito, visivelmente encabulado, lá deu uma beijoca na face da esposa.

Outro cliente, o mesmo desafio, mas a resposta áspera que esconde o mesmo embaraço: “Há 30 anos que a aturo!”. A resposta veio rápida: “30 anos? Olha que são mais...”

Ontem foi dia de ver homens de todas as idades com flores, cartões e prendas nas mãos.
Cá por mim vou tentando namorar cada dia como se fora São Valentim.

Respirando outros ares


E assim foi.

Cheguei à nova terra, ainda longe da Terra Prometida mas seguramente a Terra Escolhida.

Que me lembre, e as coisas da memória são tão selectivas, esta é a primeira terra que verdadeiramente escolho. E o mais importante é que a escolho com a minha escolhida.
Ambos escolhemos uma terra que esperamos um dia dizer ser "nossa" e que a Clarinha, essa sim, já poderá dizer "sua".

É agora tempo da descoberta, dos primeiros contactos, do estabelecimento de relações de comunidade.

Simbolicamente, a primeira imagem que me sugere o Pinhal Novo é uma folha:


Poderia ser uma folha em branco, prenhe de vontade de ser escrita.

Mas uma é uma folha que, num Inverno singular, antecipa uma Primavera que aí vem.

Riachos - A "classe" dos políticos


Feroz devorador das formas para além das coisas, tive hoje oportunidade de escutar o debate sobre a crise do sistema político entre candidatos às próximas legislaturas.

Não me apetece fazer deste blog um panfleto político. Outro espaço encontrarei para esse debate, mas uma frase dita por um hipotético futuro governante ficou-me a bailar na cabeça.
Foi numa comparação entre o 25 de Abril e os dias de hoje e rezou mais ou menos assim:

"No 25 de Abril as pessoas estavam ávidas de ouvir os políticos, hoje desconfiam”


Eu até era miúdo nessa altura. Tinha para aí 15 anos mal medidos. Mas a verdade é que a segunda metade dos anos 70 moldou parte importante do que sou hoje,

E é mesmo por isso que fiquei com a impressão que o responsável político que pensa desta maneira conheceu mal esse período.

Na verdade ele até é uns anitos mais novo que eu e a memória que tem desse período é necessariamente diferente da minha.

Contudo dispõe de abundante material bibliográfico e documental que lhe permitiria não fazer uma apreciação tão linear e apressada de um período tão fundamental da construção do sistema político que nos governa.

Sei bem que o que irei dizer é fruto de uma apreciação subjectiva da história, mas creio que poderá ser objectivada pela consulta, por exemplo, do excelente acervo do Centro de Documentação 25 de Abril, ou no livro, seguramente pouco divulgado, mas com uma primeira parte composta de depoimentos directos de intervenientes directos na coisa pública da altura, e que tem o título “O Futuro Era Agora” .

Creio que as pessoas não estavam ávidas de ouvir os políticos. Naquele período, as pessoas estavam ávidas de serem protagonistas dos seus destinos. E claro, queriam saber o que os partidos políticos pensavam, e propunham, e sobretudo, como agiam.

Essa diferença, que aparentemente é subtil, tenho para mim que é determinante.
A política era algo do quotidiano das pessoas porque directamente ligada aos seus sentimentos, aspirações e anseios.

A chamada normalização democrática, que acabou com a “anarquia”, essa sim começou a criar a separação das pessoas comuns da política.

“A minha política é o futebol” reentrou, com pézinhos de lã, no senso comum popular.
Fortemente alimentada pelos que, por diversos motivos, se assustavam com a perspectiva de homens, mulheres e jovens comuns pudessem debater, decidir e agir de forma consentânea à sua visão das coisas.

Demorou tempo, mas lá apareceu o discurso contra a “classe política” e lá se foi generalizando a ideia que os “políticos” são todos iguais. Recordo que uma das mais “duras” críticas ao estabelecimento do Serviço Nacional de Saúde, feita exactamente por aqueles que fingem clamar contra a “classe política”, era que o Ministro da altura tinha sido um electricista. Claro que na altura estvam dolado da “classe dos barões da medicina” e agora ao lado da “classe dos grandes grupos financeiros e seguradoras” com interesses na transformação da saúde numa mercadoria.

Os que comandam verdadeiramente as coisas agradecem reconhecidos que os partidos, especialmente aqueles que mantêm uma visão alternativa de sociedade, alinhassem pelo diapasão ao sonegarem formação e educação política primariamente aos seus membros e no seu conjunto à sociedade.

E assim vamos, uns “cantando e rindo” outros a vibrar com os futebóis, e ainda outros tentando ir pondo pauzinhos na engrenagem.

Cá para mim, há riachos que começam em fios e acabam em torrentes. Abril foi a torrente de muitos riachos. Vinte e muitos anos de “realismo” secaram muitos desses riachos. Mas como a vida não para e os sentimentos, anseios e aspirações, sendo ao mesmo tempo os mesmos e novos”, outros riachos estão-se a formar.

Que acabarão em torrente.

Margaridas - Sound-bites da "Caligrafia do Silêncio"


Quem queira ir a Leiria no próximo dia 5 encontrará, seguramente, muitos motivos de interesse.

Quem não irá lá encontrar é o autor do "Caligrafia de Silêncio".

Simplesmente porque o Luís apresentará o seu novo trabalho no dia 6.

Já os que não podem lá estar, como eu, mas não querem perder uma oportunidade de conviver com este contador de histórias, artesão das palavras, é visitar o Clube Desportivo da Cova da Moura, ali para os lados do Palácio das Necessidades, cerca das 19 horas do próximo dia 25.

Esta proximidade - entre o Clube e o Ministério dos Negócios Estrangeiros, fez-me ter uma visão de praias, palmeiras, vinho branco e peixe fresco- parecia um postal ilustrado da Tunísia...
Terá sido só acaso?

Em todo o caso, lá nos veremos Luís